Crianças e Go

Tradução livre do artigo: Why Every Child Should Learn Go

© 2009 Milton Bradley N.

Embora possa parecer que o tempo e o esforço despendido na prática do Go constitui uma distração do trabalho acadêmico, há muitas evidências anedóticas indicando que os estudantes que jogam Go regularmente na verdade superam os colegas que não jogam. De fato, um estudo de sete anos realizado pelo Ministério da Educação japonês mostrou que estudantes que foram membros dos clubes de Go da sua escola, tanto no ensino fundamental quanto no médio, são duas vezes mais bem sucedidos no ingresso as Universidades Nacionais do que os demais estudantes!

Da mesma forma que o levantamento de peso complementa o treinamento de habilidades específicas de algum esporte, o Go complementa o currículo escolar padrão, preenchendo as lacunas nos processos da formação do raciocínio do aluno, muitas vezes deixado de lado pela ênfase na memorização de fatos e da manipulação de fórmulas. Este efeito é reforçado pela integração única que o Go proporciona com ambos os lados do cérebro, o lado esquerdo (analítico) e lado direito (artístico); integração inigualável por qualquer outra atividade humana conhecida!

Muitos jovens “resistem até a morte” quando a escola e os pais tentam induzi-los a prestar atenção à aula e pior ainda quando obrigam a dedicarem horas de seu tempo pessoal para trabalhos de casa. Em nítido contraste, os mesmo alunos ficam fascinados com a sutileza requintada do Go, de táticas incisivas e profunda estratégia; de bom grado participam de longos períodos de intensa concentração sobre o tabuleiro de go, e gastam incontáveis ​​horas de estudo para melhorar suas habilidades e compreensão sobre o jogo. Eles fazem isso porque é divertido, e no processo não só reestruturar seus cérebros, mas também desenvolvem hábitos de estudo e concentração, habilidades que, em seguida, são transportadas com efeito salutar em suas vidas acadêmica e pessoal.

Será que isso realmente funciona? Ou é apenas uma teoria agradável de ouvir? Como observado acima, não existem estatísticas definitivas para apoiar a eficácia do Go, mas entre a grande quantidade de evidências anedóticas que encontrei, a seguinte é especialmente convincente – e  espero que você fique igualmente impressionado:

Título: O QI das crianças que aprendem Baduk(Go) aumenta!

Este artigo foi publicado por Park Chi-Moon (provavelmente o repórter de Baduk mais famoso na Coréia do Sul) no Diário Joongang (um jornal muito tradicional e respeitado na Coréia do Sul) em 3 de janeiro de 2009 e, posteriormente, publicado com permissão do autor no site oficial da Associação Coreana de Baduk http://www.baduk.or.kr) em 2 de fevereiro de 2009

Traduzido do coreano para o inglês por Gary Kim, editado por Milton Bradley N.

Um novo estudo sugere que as crianças que aprendem Baduk (Go, Weiqi) melhoraram o seu QI, nível de concentração e habilidades para resolver problemas.

Baromi Kim da Divisão da Criança, da Kyung Hee University, revelou em sua tese de  doutorado que as crianças, que participaram de sua experiência com Baduk, são superiores aos seus colegas não participantes nas categorias de inteligência (QI), concentração (capacidade de manter o foco na tarefa em mãos), a habilidade de resolução de problemas e a habilidade de adiantamento da satisfação (capacidade para conter a ação precipitada e ser paciente.). Há muito tempo existem conjecturas comuns a respeito dos benefícios de se jogar Baduk, tais como aumento na inteligência e paciência, e agora tem surgido evidências sólidas para defender esse pensamento.

Kim realizou sua experiência ao longo de um período de sete meses, em duas divisões do Deoksoo Seul Elementary School, com 68 crianças de cinco anos de idade.

Primeiro, em março de 2008, ela testou as 68 crianças em quatro áreas, a saber: a inteligência, usando o teste mais confiável e amplamente utilizado (K-WPPSI) para medir a inteligência das crianças; capacidade de manter o foco em uma determinada tarefa; habilidade de resolver problemas, e habilidade de adiantamento da satisfação.

Então, ela aleatoriamente dividiu os 68 em dois grupos, e passou a registrar os 34 no grupo experimental, em seu programa de Baduk. (O restante do grupo não participou do programa, sendo o grupo de controle). Depois que o programa terminou, em outubro de 2008, ela re-conduziu os testes das quatro áreas em todas as 68 crianças, e o resultado mostrou que o grupo das crianças participantes do programa de Baduk tiveram um desempenho superior ao grupo controle em todas as quatro áreas :

- Na categoria de Inteligência (IQ), o grupo controle apresentou um aumento de 9,8 pontos variando de 99,8 em março para 109,6 em outubro, enquanto o grupo experimental apresentou um aumento de 15,7 pontos, variando de 103,1 em março para 118,8 em outubro.

- Na área de concentração, o grupo controle aumentou em 90,0 pontos, de 96,9 para 186,9, enquanto o grupo experimental aumentou 157,1 pontos, de 92,2 para 249,3.

- No habilidades para resolver problemas, o grupo controle aumentou 7,44 pontos, de 34,97 para 42,41, enquanto o grupo experimental aumentou em 16,08 pontos, de 36,61 para 52,69.

Assim, parece que a curiosidade natural do jogo de Baduk produzida nessas crianças tem ajudado a sua concentração, e a experiência de ter resolvido os contínuos problemas no tabuleiro de Baduk também afetou essas crianças de maneira positiva.

Houve um resultado bastante peculiar no teste de habilidade de adiamento da satisfação. Embora tradicionalmente se pense que todas as habilidades das crianças aumentam à medida que crescem, esta demonstrou não ser o caso no que diz respeito à paciência. Aqueles que não participam do programa de Baduk desceu 78,50 pontos na pontuação paciência de 566,41 em março para 487,91 em outubro. Em contraste, aqueles que aprenderam Baduk aumentaram 109,01 pontos, de 555,31 para 664,33. Isso mostrou que a natureza do Baduk, em que você precisa jogar segundo as regras simples, porém, imutáveis, podem ter relevância em relação às crianças da idade moderna, que muitas vezes não têm paciência e não estão acostumados a esperar.